No final desse filme a gente morre

O que é a vida?

Quantas vezes seu coração bateu no peito?

Quantos altos e baixos a vida te deu?

Quantas horas já existiu? Quantos minutos? Segundos?

Muitas pessoas se questionam e focam no que há após a morte:

Céu?

Inferno?

O fim?

Não ligo para isso. Ou, pelo menos, não ligo mais. Já queimei muitos neurônios com isso (risos) e não cheguei a nenhuma conclusão que me trouxesse paz.

Eu quero saber o que é a vida. O que causa tanta comoção quando um coração para de bater. Porque quando alguém que a gente ama morre, uma parte da gente morre também.

Ter um coração batendo não significa vida. Pessoas com morte cerebral ainda tem o coração pulsando.

Ter o cérebro funcionando não é significado de vida. Há pessoas com consciência e funções cerebrais, mas sem movimentos no corpo.

Há pessoas gozando de plena saúde, mas vivendo em condições indignas.

O que faz a gente temer a morte, em parte, é o medo de que a vida acabe. Existe uma importância enorme em se continuar respirando, mas porque?

Muitas coisas vem a minha mente:

Fazemos diferença na vida das pessoas, e as pessoas fazem diferença na nossa vida. Gostamo de sentir, de agir, de ir, de vir… pensar em perder isso assusta.

Uma tia minha (irmã da minha mãe) morreu a algumas horas, tem uma comoção aqui e na minha vó. Eu nem sei como lidar com meus sentimentos. Esses momentos são sempre confusos. Mas uma coisa é clara: a gente tende a valorizar mais isso que chamamos de vida quando essas coisas acontece.

Tem tantas pessoas tendo que absorver a morte, porque nessa escala de desgraças que a gente está vivendo é ousadia demais querer afirmar que estamos superando algo, quem dirá algo tão profundo quanto o fim dessa existência.

Eu não sei o que acontece quando o coração para de bater. Mas eu me recuso a acreditar que a nossa existência tem um fim. Eu penso que a vida só vem da vida. Uma célula gera outra célula e milhares de células formam organismos, que criam outros organismos. Viemos de um mesmo ancestral comum, de um mesmo ponto de partida, de uma mesma célula que teve a ousadia, a coragem de se doar a ponto de não ser mais um, e sim, dois.

Mas a natureza mostra uma coisa muito interessante. Ela mostra que mesmo quando algo ou alguém deixa de respirar a vida ainda habita aquele ser e ela se transforma. Quando as folhas caem das árvores elas se decompõe e geram terreno fértil para que novas vidas sejam geradas. Acho que é isso que acontece com a gente. Nossa existência não acaba aqui, ela vira terreno fértil para mais vida, seja reencarnando, seja como boas energias ou com uma pós vida em paz, estar em paz é estar em um estado em que você não faz mais mal algum ao próximo, e isso, por si só, já é vida.

Pensar que a existência acaba quando a morte chega é contemplar o abismo sem poder voltar atrás. Isso drena a vida que nos resta e nos faz morrer antes de sequer parar de respirar.

Talvez eu seja muito nova e inexperiente para tentar solucionar essas questões. Mas pensar sobre elas dão mais sabor a vida.

Tem uma frase que eu uso como lema de vida:

Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor. – Madre Teresa de Calcutá.

Viver essa frase faz o mundo melhor. Sempre que pensar que sua ação é pequena e sem importância é só lembrar quem sem ela o oceano é menor. Não fazê-la deixa o mundo como está senão, pior. Mas ao fazer algo bom, por menor que seja, torna o mundo um pouquinho melhor. Um lixo que deixou de jogar na rua é um lixo a menos que poluirá o meio ambiente. A torneira que fecha enquanto escova os dentes, o tempo de banho que diminui, a água economizada e não desperdiçada preserva esse recurso tão precioso a vida, para que mais gerações futuras possam desfrutar desse mesmo recurso. Cada ato conta.

Outra frase que eu mantenho como lema de vida é a seguinte:

As pessoas não mudam com suas palavras. Elas mudam com seu exemplo.

Então não adianta eu querer um mundo melhor se eu não me esforço para fazer um mundo melhor. Ficar sonhando acordada com as coisas não tornam elas reais. Querer é só uma parte do processo. Executar é o que faz a diferença de fato.

Eu escolhi minhas batalhas:

  • Cuidar dos animais e defender o direito a vida e a liberdade deles.
  • Que as mulheres tenham seus direitos e corpos respeitados.
  • Que sejamos livres dessa sociedade patriarcal que obriga mulheres a serem submissas e proíbe os homens de chorar e de sentir.
  • Que amar seja um direito e não um crime. Que todos sejamos livres para amar quem quiser, independente da cor, raça, credo, gênero, religião…

Defender e lutar por essas coisas dão sentido a minha vida. E cada luta, cada manifesto é uma gota a menos no oceano de desgraças, de desastres e de maldade que alaga o mundo.

Princesa que se respeita se salva sozinha!

Onde está meu príncipe encantado?

Nos últimos anos eu tenho escrito sobre amor, sobre paixões, encontros, desencontros, sobre Ele…

Mas o que eu sei sobre o amor?

Ele é incrível! Em todas as suas faces. Desde o amor de mãe até aquela amizade que salva o nosso dia, semana, vida! O amor é esse tempero mágico que faz a mesma comida ser deliciosa todos os dias. É o tempero que faz a gente repetir várias vezes. Amar não é perder noites em claro por quem caga nos seus sentimentos.

Mas o que eu sei sobre paixões?

Sei que ela te pega de surpresa. É sempre quando você menos espera. Quando sua guarda está baixa. Ela é aquele tempero marcante que te faz querer comer a mesma comida para o resto da vida. Mas depois de um mês comendo Nutela durante todas as refeições, não à paixão que aguente.

Mas o que eu sei sobre encontros?

Num geral eles nos fazem parar de olhar para a parede e olhar pela janela. É a tela de bloqueio do Windows 10 que apresenta uma paisagem diferente todo dia, te deixa surpreso, curiosos, com vontade de saber mais, de viver mais! É uma quinta feira a noite com as amigas no meio de uma semana em que o mundo te tratou como lixo. É se dar para alguém e receber o outro em troca.

Mas o que eu sei sobre desencontros?

É aquela topada com o mendinho na quina de alguma coisa. É querer um banho quente e descobrir que a resistência do chuveiro queimou. É se dar, e não ter ninguém para aceitar o que você oferece e nem ter nada para receber.

Mas o que eu sei sobre Ele?

Sim. Com “E” maiúsculo.

“E” de estúpido,

de egocêntrico;

  • egoísta;
  • encolerizado;
  • encrenqueiro;
  • endiabrado;
  • endoidecido;
  • energúmeno;
  • enfadonho;
  • enfatuado;
  • enfezado;
  • enganador;
  • enjoado;
  • enlouquecido;
  • enraivecido;
  • enrolado;
  • escandaloso;
  • espalhafatoso;
  • esquecido;
  • esquentado;
  • esquivo;
  • estourado;
  • estranho;
  • estressado;
  • estupido;
  • exagerado;
  • exaltado;
  • exasperado;
  • exaustivo;
  • exibido;
  • exigente;
  • explosivo;

Tudo o que eu sabia sobre Ele era uma mentira, porque a versão dEle que eu amava era a versão que eu imaginei. A versão real dele não tem nada de mais. É só mais um na multidão.

E agora estou aqui, sem saber se o problema fui eu, se a ferida vai doer para sempre, se algum príncipe vai me salvar, o que fazer.

O problema fui eu?

Não dá para se isentar 100% de uma coisa como essa. Expectativa é uma erva daninha que cresce em solo fértil. Mas a culpa não foi minha. O mundo me fez acreditar que só seria feliz com um amor. Que só seria completa se encontrasse a metade da minha laranja. Mas eu sou um Kiwi, inteiro, macio e delicioso! Demorei muito para aprender que eu sou completa e o que vem não precisa me preencher ou completar. O que vem me agrega, nem mais nem menos.

A ferida vai doer para sempre?

Todas as dores doem né? Só que de um jeito diferente. Se tem uma coisa que a biologia me ensinou é que a ferida só fica aberta se ela não for tratada. A dor é intensa e vai continuar doendo muito e por muito tempo se não for remedia com o medicamento correto. Então a dor só vai passar quando eu decidir tratar o que causa a dor.

Algum príncipe vai me salvar?

Se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que princesa que espera seu mundo ser salvo por um terceiro não merece a tiara nem o título! Não preciso bancar a boa moça todos os dias, posso cair de joelhos no chão, mas acreditar que lá é meu lugar até que alguém sinta pena de mim e vá me salvar é demais! Princesa que se respeita se salva sozinha! Há dias em que vou ser a princesa, haverá dias em que precisarei ser minha própria fada madrinha e meu próprio cavaleiro. Haverá dias em que precisarei ser meu próprio gênio da lâmpada mágica… e mesmo que eu precise ser a bruxa má, quem vai salvar minha história será eu.

O que fazer?

Mantenha sua cabeça erguida, trabalhe, sorria como se não estivesse nervosa. Seja a vida de todas as festas com todos os seus amigos. Ria, revire os olhos quando eles te dizem que você é perfeito. Pode ser isso com todos eles.

Mas você não precisa mais ser legal. Não todos os dias, em todos os momentos. Mostre o lado que ninguém mais conhece. Largue esse ato com as chaves na porta. Veja através da fumaça. Guarde os risos e tudo isso para o resto do mundo. Vamos, deixe-se se amar, garota! Você não sabe que já é sua?
Você não precisa mais ser legal.

Não o tempo todo.

Uma dessas garotas

Me olhando no espelho vi alguém que eu não reconhecia.

Infelizmente eu nunca reconheci o reflexo do espelho, ele sempre foi destorcido e degenerado. Sempre me fazendo questionar se aquela era realmente eu. Nada ficava bem naquela versão do espelho. Nenhuma roupa era boa o suficiente, nenhuma maquiagem tornaria meu rosto belo, nada me faria melhor…

Inúmeras vezes eu pensei em quebrar o espelho, fazer com ele o que ele fazia comigo, deixa-lo espatifado.

Mas o problema não estava no espelho, era minha visão. Os óculos não combinavam comigo, e claro, eu não enxergava bem. além da miopia eu tinha um outro problema de vista, a vista distorcida. Eu via beleza em tudo, menos em mim.

Mas como encontrar lentes que corrigissem isso? Que tipo de cirurgia me faria enxergar melhor? Procurei incessantemente por algo ou alguém que pudesse me ajudar. Descobri colírios que me ajudaram a vislumbrar quem eu realmente era, mas o efeito deles era paliativo e não durava muito. Precisava de algo que durasse infinitamente.

Foi quando eu me deparei com um espelho quebrado… ele estava espatifado em milhares de pedacinhos… não havia cola no mundo que pudesse colar todos os pedaços em seu devido lugar. E perto do espelho estava seu algoz. Uma garota com problemas de visão como eu. Ela também via beleza nos outros e não em si. Junto dela havia uma legião de meninas espatifadas e espelhos distorcidos. O mal que me afligia provocava o mesmo nelas.

“Sou gorda demais.”

“Ninguém nunca vai me amar.”

“Meu rosto não é belo.”

“Todos me acham ridícula.”

“Ninguém nunca vai me amar.”

“Minha existência é vazia.”

Todos os seus lamentos retumbavam como as batidas de uma música de rockabilly, e no ressoar dos lamentos eu ouvi minha voz. Ouvi meus sussurros e meus próprios lamento.

Sou uma dessas garotas!

Sou uma dessas garotas que rejeita comida como se ela fosse um mal.

Sou uma dessas garotas que não se aceita.

Sou uma dessas garotas que querem ser amadas.

Sou uma dessas garotas que não faz ideia da beleza que tem.

Mas eu não quero ser assim!

Não quero que ninguém seja assim!

Quero ser uma daquelas garotas que não está tentando encontrar alguém.

Uma daquelas garotas que abraça a vida.

Que está aqui para curtir a grande festa que o mundo é.

Uma daquelas garotas que empodera outras garotas.

Que faz o que quer. Que faz o mundo girar.

Para ser essa garota é preciso encontrar a cura para esse problema de vista.

O tempo cura

Acabou de acontecer algo surpreendente. Eu ouvi sua voz!

Já escutei você diversas vezes, o som da sua voz costumava me fazer sorrir e te querer por perto. Quantas vezes o seu “oi” não fez as batidas do meu coração mudar o ritmo? Quantas vezes a sua despedida me deixou triste? Depois do nosso fim eu ainda ouvia os áudios e revia os videos antigos em busca de reviver o passado. Patético, eu sei.

Mas hoje foi diferente. Hoje eu te ouvi e nada aconteceu. Era apenas a voz de alguém. Era só mais um cara falando sobre jogos. As batidas do meu coração continuaram seu ritmo normal. Eu até me distrai e fiz outras coisas. Acho que o encanto finalmente acabou. Pra quem disse que o tempo cura todas as feridas, acho que cura mesmo. Ele curou a minha.

Mas preciso admitir que vou sentir sua falta. Não do seu corpo, não da sua voz, não da sua loucura… vou sentir falta de como você me inspirava a escrever. Mas tudo bem, eu encontro uma nova inspiração.

Respirar devagar

– Como foi que você conseguiu? – perguntou ela. -Como foi que você conseguiu recomeçar, depois de tantos anos, a se tornar outra pessoa?

– A gente começa respirando devagar. Sempre que você se sentir devastada ou for tomada pelo sofrimento, lembre-se de respirar devagar.

-Respirar devagar… Eu consigo fazer isso.

-Claro que consegue.

(Vergonha, Brittany C. Cherry)

Respirar.

Respirar.

Respirar devagar.

É o que tenho feito desde o momento em que acordei

Não era segredo para ninguém que nossa história tinha chegado ao seu último capítulo, e algumas histórias simplesmente não tinham um final feliz. Algumas histórias simplesmente acabavam

É errado dizer que acabou porque você me deu a “honra” de colocar o ponto final, mas eu ainda não coloquei. Isso não quer dizer nada. Nós dois sabemos que independente da minha resposta nossa história acabou, e foi uma boa história, mas certos livros não tem continuação. O nosso não tem.

Eu não estou bem. Disseram que é coração partido. Mas o corpo todo doí. Eu vou ficar bem. Sou mais forte do que jamais achei que seria. Todos nós somos, no fim das contas.

Só preciso continuar respirando devagar.

Melhor versão

Chegamos aos 23. Era uma idade quase irreal para a ‘eu’ de 9 anos, que achava que ser adulta era poder fazer tudo, mas aqui estou. Era uma idade muito distante para a eu de 13 anos, que queria fugir de casa e que o mundo se explodisse, mas aqui estou eu. Seria o momento mais fantástico da minha vida, pensava a eu de 18 anos, aquela caloura sonhadora. E aqui estou eu.

Pareceu impossível.

Pareceu distante.

Pareceu um sonho.

Pareceu ser o melhor dos mundos.

A eu dos 23 pede desculpas e agradece.

A versão que escreve isso, não é mais corajoso que a menina que contou A formiguinha e a neve em frente a uma plateia assustadora. Essa versão não é mais destemida que a adolescente que não ligava de ser a nerd e a estranha, ela não tinha medo de usar sua capa de super-herói. Essa versão não é mais empenhada e dedicada que a moça que estudava 16 horas por dia. Não é mais sonhadora que a eu de 19 anos que achava ser imortal e que viajou por esse país conhecendo pessoas, lugares e vivendo experiências. A versão dos 23 não é mais forte que a mulher que defendeu sua tese nem do que a menina/ mulher que perdeu o pai.

A versão de hoje tem medo, as vezes ela cai, nem sempre pode fazer o que quer e precisa continuamente estar com os pés no chão. Ela não é feita de adamantium, ela ainda se esconde embaixo das cobertas.

Peço desculpas a todas as versões de mim. Elas depositaram sua fé, confiança e esperança em mim. Mas eu sou apenas uma menina crescida tentado respirar.

Agradeço a todas as versões de mim. Elas foram fortes, erraram, caíram, levantaram e contra todas as probabilidades do mundo, amaram. E a mulher que escreve isso, é, senão, a soma de todas.

Ainda não sou a cientista que gostaria. Ainda não tenho carteira de motorista, mas me levanto todas as manhãs e aproveito para ser uma versão melhor. Pode demorar para chegar onde desejo, mas a cada passo que dou, eu cresço.

A gente passa a vida inteira esperando por uma liberdade que sempre esteve dentro de nós. E nessa busca incessante, eu vou em busca da melhor versão de mim.

Melhor parte de mim

Já se deparou falando sozinho? Sabe, aquelas conversas mentais que te lembram momentos tão longínquos, te faz reviver certos momentos e por vezes te leva a chorar?

Tive uma conversas dessas com minhas versões do passado, elas tinham tanto para me lembrar. As vezes eu queria voltar a ser a menina de cinco anos que enfiou o pé no raio da bicicleta em movimento só para reviver aquela tarde mágica depois que eu recebi alta do hospital, em que era só eu, meus pais é um sorvete. Se eu pudesse conjurar um patrono, essa com certeza seria minha lembrança feliz.

Mas aquela versão de mim também tinha problemas, não era como os que tenho hoje, mas isso não quer dizer que não era difíceis para ela. O que minha visita ao bau de recordações me mostrou é que todas as minhas versões enfrentaram grandes provações, todas tiveram medo, tiveram duvidas e pensaram que aquele problema era maior que elas, mas não eram, a vida provou que elas eram muito fortes, sou a prova viva disso.

Reviver todas essas lembranças me deu forças para encarar meus monstros. Meu maior medo é parecer fraca e ter que pedir ajuda. Sei que preciso de ajuda, muita! Mas saber não torna o ato mais fácil. Eu queria ser perfeita, mas isso significaria abrir mão de todas as cicatrizes do meu passado. Cada batalha e desafio enfrentado me garantiram marcas e eu não estou pronta para abrir mão dos troféus das minhas maiores vitorias.

Meus acertos me tornaram uma menininha egocêntrica, arrogante e uma cínica pretensiosa, mas foram minhas falhas que me tornaram uma mulher inteligente e sabia. O melhor de mim veio das minhas quedas, de quando eu não pude ser perfeita e principalmente de quando eu me permiti ser ajudada.

A gente pensa um no outro

Leia ao som de The Lumineers – Sleep On The Floor

Sempre achei engraçado como uma música triste me inspira a escrever. Quanto mais triste, melhor! A parte não tão engraçada é que é sempre sobre você.

Já sonhei com tantos finais felizes para nós dois. Com filhos, sem filhos, com idas e vindas, sendo únicos um para o outro, em uma casa na floresta, em um apartamento na cidade, aqui, em Minas, perto, longe… Mas sempre terminávamos juntos.

Tenho uma teoria sobre nós. Porque sim, existe um nós! Não da forma lirica que eu gostaria, mas de uma forma dependente. Como se não conseguíssemos seguir em frente e nos deixar para trás. Acho que essa nossa impotência têm muito haver com a ausência da nossa atitude. Escrevi dezenas de texto sobre você ao longo desses anos e sei que pelo menos uma vez por semana a vontade de falar comigo vence o seu silêncio e o Oii com dois í aparece na minha barra de notificação, e tenho uma caixa com todas as coisas que você já me deu, um poema, uma música, uma história, milhares de sorrisos e os segredos que são só nossos.

A gente pensa um no outro;

Mas somos jovens. Queremos conquistar o mundo.

A gente pensa um no outro;

Mas somos inexperientes demais.

A gente pensa um no outro;

Mas tem medo de admitir.

A gente pensa um no outro;

Mas tem tanto medo de  dar errado, que a gente nem tenta.

O que temos é melhor que nada.

O que temos é melhor que nada?

Seremos amigos por muitos anos, ao menos é isso que esperamos. Mas sempre existira um grande e se entre nós.

E se tivéssemos tentado?

E se ele me amasse?

E se o medo não fosse maior que a gente?

Onde estaríamos se tentássemos?

Seriamos um casal? Ou a gente até teria dado uma chance, mas decidido seguir como amigos? ou como estranhos? Sairíamos desse loop. Para o bem ou para o mal.

Seríamos mais fiéis a nós mesmos, e um ao outro, se ao menos tentássemos.

Mas essa é apenas uma teoria. Posso estar errada, mas nós dois sabemos que eu não costumo errar.

Com amor.

 

 

De acordo com você

Escrevo esse texto ao som de According To You da Orianthi e me perguntando como pude passar os últimos sete anos da minha vida sem ouvir esse hino teen! Uma guitarrista foda pra caramba que reconhece que é incrível e que ninguém pode mudar isso, uma mulher forte, com suas roupas extravagante e com um temperamento levemente esquentadinho. Parece até mesmo a descrição de uma personagem de um livro não é mesmo? Acontece que na verdade é sim.

Funny, sonhei com ela muito antes dela existir e ser apresentada ao mundo. Ela é um misto de rebeldia e garra, ela se sentia forte, mas não mais forte que as mulheres que a cercavam, o que não era ruim. Ela sempre admirou as amigas fortes e fantásticas que tinha, sempre olhou para sua mãe como se olhasse para a deusa Atena e respeitou e admirou cada professora que teve a paciência de lhe ensinar algo. Quando ela descobriu a extensão do seu poder ela não ficou admirada, ela ficou feliz por poder proteger aqueles que ela amava.

Eu lembro dela e tenho um orgulho tão grande da jovem mente que a criou, ela tinha um coração imenso guardado na prateleira do seu quarto, disso eu não tenho dúvida! E ao reler a obra escrita por ela depois de todos esses anos, eu me senti como uma mãe com orgulho do seu filho. Cada linha, cada paragrafo fez meu coração bater mais  forte, fez minha mente relembrar dos momentos em frente a tela do computador escrevendo freneticamente.

A eu daquela época tinha uma mente criativa que me chega a ser invejável. As concordâncias equivocadas passam batidas com a intensidade do enredo. E sabe o que é mais impressionante? É que aquela eu não escreveu um romance, não escreveu um livro teen fantasioso. Ela escreveu um manual de como ser uma mulher forte!

Ao ler a ultima página do livro eu só conseguia pensar em como eu queria ser a Funny! Ser a heroína cheia de defeitos, marrenta, impassível e apaixonada pela sua história. Alguém que errou e fez de cada erro uma meta a alcançar, e ela alcançou cada uma delas, cercada de amigas, da família e de um amor próprio que me fez me revestir de afeto.

Se eu tive dúvidas de quem eu queria ser quando crescer, suas palavras foram a bussola que me indicou a direção a percorrer. Sou eternamente grata pela jovem maravilhosa que fui. Sou sua fã!

Prometo ser uma heroína a altura das suas expectativas. De acordo com você.

Com amor.

A eu de hoje.

 

Com você

Um dia eu quebrei minha perna! Foi um caos total! Gente curiosa me cercando, meu pai desesperado procurando ajuda, pedindo uma ambulância, meu tio correndo até minha casa para avisar minha mãe… o tempo corria enquanto eu estava deitada naquele chão frio.

Aquele foi um dos dias mais felizes da minha vida!

Não exatamente por ter quebrado a perna, mas porque naquele dia, quando eu recebi alta eu vi meus pais na sala de espera, e eles se apoiavam de uma forma que eu nunca vou esquecer. Havia medo, cumplicidade, cuidado, amor, muito amor!

Disse para mim mesma que aquele era o possível amor de qual todos os malditos livros falavam. E eu queria ter aquilo.

A vida seguiu seu curso e e eu vi o amor dos meus pais se desmoronar e a cada briga que eu tentava não ouvir, abafando os gritos com música no volume máximo, eu jurava que jamais me casaria! Que eu não viveria aquilo que eles estavam vivendo.

Claro que essas promessas eram feitas em um momento de desespero e por uma garota assustada. Ela não tinha noção de que a história só se repete se você não prestar atenção a todos os detalhes. Os gritos contavam uma historia e os corações diziam outras. Era necessário falar menos e agir mais.

Você nunca foi de muitas palavras. Eu tinha que colher cada informação com muito cuidado porque você nunca foi do tipo que tagarela. Mas tudo que me contava era incrível, e parecia que tudo que eu dizia era anotado no intimo da sua mente, porque parecia que você sabia tudo de mim.

Mesmo nas nossas idas e vindas, nos términos e nos recomeços, a gente não desistia de acreditar que o mundo iria girar e nos trazer para o mesmo lugar, para o lado um do outro. E a mesma menina que jurou nunca se casar, um dia deitou para dormir e sonhou com uma bela cerimonia ao ar livre, com um beijo roubado antes do: Pode beijar a noiva! Com uma valsa desajeitada, com fotos engraçadas e com votos que de tão simples, pareceram reais.

Ela sonhou com uma vida inteira juntos. Com dois filhos, uma menina chamada  Izolde e um menino chamado Nell, um porco de estimação e muitas tardes chuvosas maratonando a trilogia do Senhor dos anéis.

Sonhou com várias valsas desajeitadas tarde da noite, as reconciliações picantes e frenéticas após as brigas. As lagrimas que nunca chegavam ao chão porque eles estavam juntos ali um pelo outro, para o outro. Ela imaginou uma vida juntos. Enfrentando tudo e todos.

Ela sonhou tudo isso porque mais cedo naquele dia, o dia em que seu mundo virou de cabeça para baixo, o dia em que ela teve que enterrar seu herói, que o mundo ganhou um novo tom de cinza, o dia em que um milhão de lágrimas insistiram em chegar ao chão, ele havia segurado sua mão e sussurrado que eles superariam juntos.

Havia medo.

Havia cumplicidade.

Havia cuidado.

Havia amor. Muito amor!